Quando a tão esperada gravidez não acontece mês após mês, pode ser extremamente estressante para muitas mulheres. De fato, estima-se que cerca de 10 a 15 por cento de todos os casais enfrentam problemas de fertilidade. As causas da infertilidade feminina são diversas, variando de distúrbios hormonais a alterações anatômicas. A seguir, você descobrirá as dez causas mais comuns e como reconhecer os sinais de alerta precocemente.
1. Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
A Síndrome dos Ovários Policísticos é uma causa comum de distúrbios menstruais e ausência de ovulação. Nos ovários, formam-se pequenos cistos que podem interferir no processo normal de maturação dos óvulos. A SOP geralmente está associada a níveis elevados de hormônios masculinos (andrógenos), o que pode se manifestar por meio de acne e aumento do crescimento de pelos.
Sintomas: Menstruação irregular ou ausente, ganho de peso, acne, aumento de pelos corporais.
O que fazer? Com a ajuda de exames de sangue e ultrassonografia, um ginecologista pode diagnosticar a condição. Mudanças no estilo de vida (por exemplo, perda de peso, exercícios) e uma terapia hormonal adequada frequentemente ajudam a estabilizar o ciclo e aumentar a fertilidade.
2. Distúrbios de Ovulação fora da SOP
Mesmo sem SOP, podem ocorrer distúrbios menstruais onde a ovulação é irregular ou não ocorre. Exemplos incluem disfunções da tireoide, excesso ou deficiência de peso e estresse, além de um aumento na secreção de prolactina (hiperprolactinemia), que pode desequilibrar delicadamente os hormônios.
Sintomas: Ausência de menstruação (amenorreia), ciclos extremamente irregulares, oscilações de humor, sinais de disfunção tireoidiana (por exemplo, queda de cabelo, variações de peso).
O que fazer? Uma avaliação hormonal completa e, se necessário, testes de função da tireoide fornecem informações essenciais. Dependendo do diagnóstico, medicamentos (por exemplo, indutores de ovulação) ou tratamento da condição subjacente (por exemplo, medicação para a tireoide) podem ser úteis.
3. Endometriose
Na endometriose, células semelhantes ao revestimento do útero crescem fora do útero – por exemplo, nos ovários, nas trompas de falópio ou na cavidade abdominal. Essas células podem causar inflamações e aderências que prejudicam a maturação dos óvulos, a fertilização e a implantação dos embriões.
Sintomas: Dor menstrual intensa, dor durante o sexo, dores pélvicas crônicas.
O que fazer? O diagnóstico preciso geralmente é feito por ultrassonografia e/ou laparoscopia. Procedimentos cirúrgicos e terapias hormonais podem aliviar os sintomas e melhorar as chances de uma gravidez bem-sucedida.
4. Trompas de Falópio Bloqueadas ou Danificadas (Fator Tubal)
As trompas de falópio são essenciais para transportar o óvulo do ovário para o útero após a ovulação. Se estiverem bloqueadas ou danificadas, os espermatozoides não conseguem alcançar o óvulo ou o embrião não pode ser transportado adequadamente. Causas comuns incluem infecções (por exemplo, clamídia) ou aderências após cirurgias.
Sintomas: Muitas vezes assintomático, frequentemente descoberto apenas em exames de fertilidade (por exemplo, histerossalpingografia).
O que fazer? Dependendo da situação, procedimentos cirúrgicos podem restaurar a permeabilidade. Em casos graves, a fertilização assistida (por exemplo, FIV) é uma alternativa.
5. Miomas e Anomalias Congênitas do Útero
Miomas são tumores benignos dentro ou adjacentes ao útero que podem deformar o órgão e dificultar a implantação do óvulo fecundado. Malformações congênitas (por exemplo, útero septado) também afetam o espaço disponível para o desenvolvimento do embrião.
Sintomas: Sangramento menstrual intenso ou prolongado, dores no baixo ventre, sensação de pressão na pelve.
O que fazer? Uma ultrassonografia esclarece a localização e o tamanho dos miomas ou malformações. A correção cirúrgica muitas vezes melhora significativamente a fertilidade.
6. Infecções e Inflamações
Infecções crônicas – por exemplo, doenças sexualmente transmissíveis como clamídia ou gonorreia – podem levar à chamada doença inflamatória pélvica (DIP) e causar danos duradouros às trompas de falópio ou ao útero. Também, uma endometrite não tratada (inflamação do revestimento uterino) pode reduzir a fertilidade.
Sintomas: Dores no baixo ventre, corrimento incomum, febre (em inflamações agudas). No entanto, frequentemente ocorre de forma assintomática.
O que fazer? Em caso de suspeita de infecção, é importante procurar um médico rapidamente. Tratamentos com antibióticos ou terapias direcionadas podem prevenir danos posteriores.
7. Idade e Qualidade dos Óvulos
Com o aumento da idade, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem. A partir dos 35 anos, a fertilidade das mulheres declina significativamente, e o risco de abortos espontâneos ou anomalias cromossômicas aumenta.
Sintomas: Nenhum sintoma direto, apenas mudanças estatísticas e hormonais (por exemplo, níveis baixos de AMH).
O que fazer? O planejamento familiar antecipado pode ajudar. Quem deseja adiar a maternidade pode optar pelo congelamento de óvulos (Social Freezing). Além disso, existem tratamentos em clínicas de fertilidade que podem, em parte, compensar a idade.
8. Causas Genéticas e Imunológicas
Algumas mulheres possuem alterações genéticas que dificultam o desenvolvimento normal dos óvulos ou embriões. Fatores imunológicos, como doenças autoimunes (por exemplo, lúpus, síndrome antifosfolípide), também podem dificultar a implantação ou a manutenção da gravidez.
Sintomas: Frequentemente não há sintomas específicos no dia a dia. No entanto, em doenças autoimunes, podem aparecer sinais como fadiga, dores nas articulações ou alterações na pele.
O que fazer? Exames de sangue específicos e testes genéticos auxiliam no diagnóstico. Um acompanhamento próximo com especialistas e terapias adequadas (por exemplo, anticoagulantes na síndrome antifosfolípide) frequentemente aumentam as chances de gravidez.
9. Estilo de Vida e Peso
Excesso ou deficiência de peso, bem como um estilo de vida geralmente não saudável (por exemplo, tabagismo, alto consumo de álcool, estresse crônico), podem perturbar o ciclo e a produção hormonal de forma duradoura. Especialmente um déficit calórico extremo ou estresse persistente podem levar ao completo cese da ovulação em algumas mulheres.
Sintomas: Sangramentos irregulares, ausência de ovulação, falta de energia, problemas de concentração.
O que fazer? Uma alimentação equilibrada, redução do estresse, sono adequado e evitar nicotina e álcool em excesso são pilares básicos para uma fertilidade saudável.
10. Infertilidade Não Explicada (Idiopática)
Apesar de exames detalhados, níveis hormonais normais e trompas de falópio intactas, algumas mulheres não encontram razões claras para a ausência de gravidez. Esta forma de infertilidade é especialmente angustiante, pois aparentemente não há uma causa concreta.
Sintomas: Ciclo normal, exames laboratoriais e ultrassonográficos sem alterações, mas sem gravidez.
O que fazer? Tratamentos de fertilidade, como fertilização in vitro (FIV) ou inseminações (IUI), frequentemente são bem-sucedidos. Obter uma segunda opinião ou mudar para um centro de fertilidade especializado pode valer a pena em muitos casos.
Conclusão
A infertilidade feminina pode ter inúmeras causas – desde distúrbios hormonais até fatores estruturais e genéticos. No entanto, a medicina moderna oferece diversas opções de diagnóstico e tratamento, permitindo que, em muitos casos, uma gravidez bem-sucedida seja possível. É importante buscar aconselhamento cedo e, se necessário, ajustar o estilo de vida. Comunicação aberta com o parceiro, uma relação de confiança com o médico ou médica e, se necessário, apoio psicológico podem ajudar a superar o frequentemente desafiador caminho até o filho desejado.