O sexo durante a gravidez é, em geral, seguro?
Numa gravidez sem complicações, o sexo é normalmente inofensivo. O bebé está bem protegido pelo saco amniótico e pelo útero, e a penetração não o alcança. Muitas incertezas vêm menos da biologia e mais do receio de magoar-se ou de provocar algo.
Páginas médicas oficiais dizem algo semelhante: na maioria dos casos o sexo é possível, desde que a tua equipa clínica não recomende o contrário e não surjam sinais de alerta. ACOG: É seguro ter sexo durante a gravidez?
O que muda no corpo e por que o sexo pode parecer diferente
Durante a gravidez aumenta a circulação sanguínea na pélvis e as mucosas ficam frequentemente mais sensíveis. Isso pode ser agradável, mas também provocar irritação mais facilmente. Alguns sentem mais desejo, outros menos; muitos passam por fases.
Além disso, mudam a energia, a perceção corporal e por vezes a necessidade de segurança. Isso não é invulgar, é uma adaptação normal. É importante não tentares reproduzir uma vida sexual anterior se o corpo estiver a sinalizar outra coisa.
Bom ou mau depende do conforto e do risco, não de um julgamento
O sexo pode, durante a gravidez, reforçar a intimidade, promover relaxamento e dar sensação de agência. Pode também gerar pressão se houver insegurança ou dor. O mais importante não é como deveria ser, mas como realmente se sente.
Uma orientação pragmática encontram-se em grandes fontes médicas: muitas práticas são possíveis, desde que sejam agradáveis e não existam restrições médicas. Mayo Clinic: Sexo durante a gravidez
Fases típicas: porque muda ao longo dos meses
No primeiro trimestre são comuns náuseas, cansaço e sensibilidade mamária. No segundo trimestre muitas pessoas sentem-se mais estáveis. No terceiro trimestre o abdómen, a sensação de pressão, a falta de ar e as questões de posição passam a ser mais importantes.
- Se falta desejo, isso não é automaticamente um problema de relação.
- Se o desejo aumenta, isso também é normal.
- Se se sente diferente de semana para semana, isso é mais típico do que raro.
Orientação prática: o que costuma ajudar, sem soar a instruções
O conforto é o critério mais importante. Evita pressão sobre o abdómen e tudo o que pareça exigir resistência. Muitas pessoas acham confortáveis posições em que a pessoa grávida controla o ritmo e a profundidade ou que estão de lado.
- Se algo arde ou irrita: abrandar, mudar de posição ou fazer pausa.
- Em caso de secura: mais tempo, mais excitação e, se necessário, um lubrificante bem tolerado.
- Se usarem preservativos: mais lubrificante reduz o atrito e microlesões.
- Se a penetração não for confortável: a intimidade também pode nascer do toque, massagem, sexo oral ou estimulação mútua.
Hemorragias, cãibras, contrações: o que pode acontecer e o que deve ser investigado
Pequenos sangramentos após o sexo podem ocorrer porque o colo do útero está mais vascularizado e sensível. Também podem surgir contrações breves e benignas após um orgasmo. O essencial é que sejam leves e cedam.
Se houver hemorragias intensas, dor intensa, contrações regulares e em cólica, perda de líquido amniótico ou se te sentires mal de modo geral, deves procurar conselho médico sem demora. Uma breve informação clínica sobre sangramentos na gravidez está disponível na ACOG. ACOG: Sangramento durante a gravidez
Quando deves evitar ou consultar primeiro
Existem situações em que as equipas médicas aconselham frequentemente pausa sexual ou, pelo menos, abster-se de penetração. Se isso for o teu caso, a recomendação individualiza-se mais do que conselhos gerais.
- Hemorragias intensas ou recorrentes
- Perda de líquido amniótico ou suspeita de rotura das membranas
- Placenta prévia ou uma placenta muito baixa
- Sinais de trabalho de parto prematuro ou risco elevado de parto pré-termo
- Dores intensas inexplicadas, febre ou sinais claros de infeção
Sob complicações da placenta há resumos claros que explicam por que razão por vezes é recomendada precaução. NHS: Complicações da placenta
Higiene, testes e segurança
A proteção contra infeções é particularmente importante na gravidez. Se o estado serológico para ISTs for desconhecido ou existirem riscos, os preservativos e os testes são aconselháveis, porque algumas infeções podem afetar a gravidez e o parto.
- Após sexo anal: ter cuidados de higiene para não transportar germes para a vagina.
- No sexo oral: evitar introduzir ar na vagina.
- Se houver ardor, dor ou corrimento invulgar: é preferível esclarecer do que normalizar.
Mitos e factos
- Mito: o sexo magoa o bebé. Facto: numa gravidez sem complicações o bebé está bem protegido.
- Mito: o sexo provoca tipicamente um aborto espontâneo. Facto: o sexo não é considerado uma causa típica de aborto espontâneo.
- Mito: se é desconfortável, é preciso aguentar. Facto: a dor é um sinal para alterar o ritmo, a forma ou fazer pausa.
- Mito: só a penetração conta como sexo. Facto: a intimidade tem muitas formas e pode mudar durante a gravidez.
Quando a ajuda profissional é especialmente útil
Procura aconselhamento rapidamente se tiveres hemorragias intensas, dor forte, perda de líquido amniótico, febre ou corrimento com odor fétido. Também se a ansiedade ou a pressão estiverem a afetar a relação, uma conversa com uma parteira, médica ou serviço de aconselhamento pode ser muito útil.
Por vezes a maior mudança não é uma técnica, mas a permissão para que a intimidade seja flexível. Isso reduz a pressão e facilita a proximidade.
Conclusão
Para a maioria: o sexo durante a gravidez é geralmente aceitável, desde que seja agradável e não existam razões médicas que o impeçam. É bom quando é seguro. Não é perverso porque, naquele momento, não seja adequado. Com conforto, proteção contra infeções e atenção aos sinais de alerta, o tema tende a ficar mais calmo.

